A História do vinho por Hugh Johnson (Vídeo) - Episódio 9 (Os vinhos de Bordeaux)
Seguimos nossa série sobre história do vinho, hoje aprendendo sobre a história de Bordeaux. Hugh começa nos contado que a região do Medoc, inicialmente, não era para nada um lugar de luxo. Na verdade era descrita com um lugar selvagem e solitário com pequenos vilarejos construídos em pequenas clareiras que mordiscavam a paisagem da grande floresta.
A região era pantanosa, mas a eficiente drenagem do seu solo foi fundamental para o bom desenvolvimento das poucas videiras que eram cultivadas na região. No século XVIII porém a propagação intensa de vinhedos pela região de Bordeaux fez necessária a implementação de divisões da região em áreas específicas.
Os viticultores escolhiam as terras mais elevadas. As melhores avistavam o rio Gironde, ficando em pequenas colinas de terreno com pedregulhos e de excelente drenagem, com solo mais quente e que produziam uvas mais maduras e saborosas.
Em seguida, Hugh nos fala do Marquês de Segur, o “Príncipe dos Vinhos”. Era conhecido assim pois era o proprietário, apenas, dos Châteaux Latour, Lafite e Mouton (mais tarde, Mouton Rothschild).
No video, Johnson tenta explicar como os vinhos dessa região foram tão valorizados. Nos conta que já se constatava na bebida o cuidado diferenciado com o qual o vinho dessa região era preparado. Os vinicultores já compravam barricas novas para cada safra ao invés de simplesmente limpar as antigas. Passaram a podar mais suas videiras para intensificar o mosto e mantinham as barricas cheias, o que evitava a oxidação do vinho.
No vídeo, temos ainda um sobrevôo panorâmico onde vemos claramente como o dinheiro permitiu que fossem construídos os castelos pretensiosos da região de Bordeaux.
Johnson nos mostra ainda o documento assinado em 1855 quando o então imperador Napoleão III solicitou um sistema de classificação dos melhores vinhos de Bordeaux na França, que seriam mostrados aos visitantes de todo o mundo na Exposição Universal de Paris. Os vinhos foram classificados de acordo com o preço de mercado, que na época estava diretamente relacionada à qualidade. O resultado foi chamado de classificação oficial de Bordeaux.
Os vinhos foram classificados em cinco categorias de importância: primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto "crus" (lugar de crescimento em francês). Todos os primeiro "crus" tinto, Chateaux Latour, Lafite, Margaux da lista vinham da região de Médoc, exceto o Château Haut-Brion, que vinha da região de Graves. Aos brancos, foi dada menor importância do que aos tintos e as classificações foram limitadas às variedades doces de Sauternes e Barsac, consideradas, respectivamente, primeiro e segundo "cru".
A única alteração dessa lista foi conseguida em 1973 após os 50 anos de luta do Barão Philippe de Rothschild com as autoridades francesas. A reclassificação do seu Château Mouton Rothschild foi a primeira e última conseguida desde então.
Quem quer ser um Master of Wine

IMW 2010 London Open Day from Masters of Wine on Vimeo. IMW 2010 London Open Day Q&A Session from Masters of Wine on Vimeo.
O exame é pesado. Nosso único "Master of Wine" brasileiro se formou no prestigiado Wine & Spirit Education Trust, que reúne alunos de várias partes do mundo. Sua luta para se tornar um Master of Wine, com índice de aprovação de apenas 5%, levou seis anos. A que ser persistente… Muito mesmo, pra falar a verdade. Dirceu, antes de conquistar o título, foi reprovado três vezes até que, finalmente, em 2008 consegui chegar lá. A avaliação apresenta questões teóricas de viticultura, enologia e marketing, além de um teste de degustação, em que o candidato é colocado diante de doze mostras de vinho e deve identificar a região onde foi fabricado e a safra.
Além de um super olfato e paladar, o Master of Wine deve unir conhecimentos práticos e teóricos sobre "a arte, a ciência e o negócio do vinho" e deve se preparar muito para as provas. É proibido fumar e beber, para não atrapalhar o paladar. O candidato também não pode dormir tarde, para não perder a concentração. Além disso, todo o esforço pode ir por água abaixo se no dia da prova o candidato estiver gripado, por exemplo. A preparação deve incluir ainda viagens para conhecer vinícolas mundo afora e grupos de estudo com os amigos onde vinhos caros devem ser degustados. Em outras palavras, uma formação que não sai barata. Principalmente para nós brasileiros que pagamos tão caros pelo vinhos que vem de fora do nosso Mercosul. Finalmente, se você sonha em um dia se tornar um Master of Wine saiba que além da obstinação e preparo, você precisará de condições para bancar uma formação especialmente cara. Se quiser aprender mais sobre o "The Institut of Master of Wines", clique aqui.
Os vídeos abaixo foram gravados em maio de 2010 durante um dia de master class aberta para futuros estudantes do Instituto em Londres. Aqui temos uma visão geral do Instituto, seu trabalho e do que envolve o estudo para se tornar um Master of Wine.
Quiz Espaço do Vinho - VARIEDADES REGIONAIS (Veja o resultado ao final)
Continuamos hoje nosso Quiz Espaço do Vinho. São, apenas cinco questões, e como sempre, você descobre seu desempenho na hora. Hoje um pequeno teste sobre seus conhecimento de uvas emblemáticas de diferentes regiões e países do mundo. Você poderá ver se a sua resposta esta correta ou errada no canto direito da página. No final apresentamos sua porcentagem de acerto no Quiz. Para começar é só clicar no link abaixo.
Risotto D'Ossobuco com Montepulciano d'Abruzzo na São Paulo Restaurant Week

Esta quinta-feira segui minha jornada pela programação da São Paulo Restaurant Week. Até agora não havia escrito nada sobre a semana neste Blog pois, sinceramente, havia me decepcionado bastante com que estava encontrando. Porções mínimas, por vezes pouco criativas, e alguns erros de combinações. Finalmente, neste dia tive uma grata surpresa no Empório Ravioli. Começamos por uma delicada Insalatina del Macellaio, uma saladinha com salsa verde e maminha fatiada, muito gostosa. Também provei a outra entrada do cardápio, uma Insatina di frutti di mare al profumo di Limone Siciliano (saladinha de frutos do mar ao perfume de limão siciliano).



O terroir é caracterizado por depósitos marinhos pré-históricos originários do final do período terciário e início do quaternário quando a região fazia uma pequena baía junto ao mar Adriático. O clima é particularmente favorável, graças ao fato do Mar Adriático estar tão perto, o que mantém a temperatura amena durante todo o inverno.
A sobremesa foi um delicioso tiramisu com um chantilly muito leve e gostoso. Vale a pena conferir!!!
Quiz Espaço do Vinho - HARMONIZAÇÃO (Veja o resultado ao final)
Começamos hoje o Quiz Espaço do Vinho. É rápido, apenas quatro questões, e você descobre seu desempenho na hora. Começamos com um pequeno teste sobre seus conhecimento de harmonização. Para começar é só clicar no link abaixo.
A História do vinho por Hugh Johnson (Vídeo) - Episódio 8 (Madeira e Porto)
Neste vídeo Hugh Johnson conta um pouco da história dos vinhos Madeira e do Porto. Hugh diz que poderíamos chamar o vinho Madeira de um "vinho acidental", pois ninguém no século XVI iria procurar vinhos em uma remota ilha do Atlântico.
Somente os navegantes que iam para o Novo Mundo, e que tinham que parar obrigatoriamente nesta ilha para abastecer seus navios, acabavam provando este vinho local.
Johnson conta que os viajantes não gostavam muito deste vinho, pois o achavam muito pouco encorpado. Porém, ao carregar este vinho no barco, cruzando o oceano até chegar na América, eles ficaram muitos surpresos com o que aconteceu com o sabor desta bebida: melhorou substancialmente.
Os britânicos não queriam autorizar o mercado livre entre suas colônias e a Europa. Porém, para o Rei João II, como a Ilha Madera não integrava a Europa e sim a África, e como fazia parte da rota do ingleses para a América, acabou se tornando o vinho preferido das colônia da América do Norte e da América do Sul. Em pouco tempo o Madeira cruzou de volta o Atlântico e passou a estar presente não só nas mesas requintadas das colônias como também das cortes européias. Só para ter uma idéia da importância deste vinho, em 4 de Julho de 1776 foi com ele que se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente por ser uns dos vinhos favorito do estadista Thomas Jefferson.
O método de produção remonta ao ambiente enfrentado nos porões dos navios, que a mercê das altas temperaturas dos trópicos, regressavam claramente melhorados. A partir do século XVIII engenhos foram adaptados para sua produção. Os vinhos eram colocados próximo ao telhado para um aquecimento direto ou se fazia uma circulação do vapor de água através de serpentinas de cobre.
Hoje as técnicas evoluíram e atualmente estufas modernas são construídas em aço inoxidável, com camisas de transmissão de calor. O vinho é aquecido e permanece a uma temperatura na faixa dos 50°C por 90 dias, seguidos de mais 90 dias à temperatura ambiente. Assim fica a mercê das oxidações e reduções sucessivas que aportam ao vinho seu aroma e paladar peculiar. O vinho também muda de cor, perdendo densidade cromática e adquirindo laivos acastanhados ou amarelados.
Após falar sobre o Madeira, Johnson nos introduz a outro importante vinho fortificado, o Porto. Inicialmente somos levados a uma cena bem tradicional onde portugueses dançam sobre os cachos das uvas para extrair o mosto mostrando todo o primitivismo que ainda encontramos em algumas poucas vinícolas do Porto. Johnson nos explica, de forma breve, o processo de produção o vinho do Porto. Conta que o mosto fermenta por apenas de dois dias para que se extraia apenas metade de seu açúcar transformado em álcool. A partir daí todo o suco é levedado para as pipas, que já estão com uma quantidade certa de aguardente vínica em seu interior para frear a fermentação. Em seguida, fala da polêmica que foi, no século 19, o fato deste vinho utilizar este processo de adulteração para frear a fermentação.
Conta também a história de Joseph James Forrester, um cartógrafo e cientista, que, assim como muitas personalidades de seu tempo, defendeu arduamente a não adulteração, que ele considerava uma prática maliciosa. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Johnson conta também como James morreu afogado, em 1861, em uma das viagens que fez pelo Douro levando o vinho a te a cidade do Porto. O peso do cinto de dinheiro que levava junto ao corpo fez com que ele afundasse e nunca fosse encontrado. E conta como que o mesmo venho a perecer afogado nas viagens nas corredeira tortuosa do douro que era atravessada naquela época para levar o vinho até a cidade do Porto. O barco de Forrester virou-se em 1861, no Cachão da Valeira, sendo arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo, nunca tendo sido encontrado o seu corpo. Conta a história que, Nessa derradeira viagem, James estaria acompanhado de D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida como "Ferreirinha", que, segundo reza a história, não se afogou porque as saias de balão que vestia a fizeram flutuar até à margem do Rio Douro. Hoje em dia, depois de construídas algumas barragens, o Cachão da Valeira, local do naufrágio, já não constitui o perigo de antigamente para os navegadores do Douro. Além disso, o vinho desce pelas estradas e não mais pelo rio.
Johnson continua, também sem se aprofundar muito, falando sobre dois diferentes tipos de porto: o Tawny e Vintage.
Mais tarde farei um post mais detalhado sobre este vinho que aprecio tanto, assim como fiz do Jerez. Aproveitem o vídeo!
Entrevista com Blogueiros: Jeriel da Costa (Blog do Jeriel)
Espaço do vinho: Jeriel, seu blog, está entre os líderes de audiência dentro do Enoblogs, em fevereiro de 2011. Quando você resolveu lançá-lo imaginava que iria alcançar este sucesso tão rapidamente?

EV: Como surgiu a idéia de fazer um blog para falar de vinhos?
J: Se você acessar o portal da SBAV-SP e clicar no link degustações vai verificar que mais de 90% dos textos são da minha autoria. Escrevi de 2005 até o fim de 2010. Um jornalista de uma revista de grande circulação, da qual fui degustador no período de 2004 ao começo de 2010, disse-me que eu merecia ter um blog. Então gentilmente criou o blog e me cobrou um preço bem camarada. No começo ele só era acessado pelo pessoal da SBAV e por alguns amigos, mas a notícia foi se espalhando e atualmente estou bem próximo de ultrapassar a marca de 1.000 acessos diários e de chegar ao milésimo post. Nem imaginava que isso fosse acontecer, mas estou bastante feliz com isso.
EV:Algum vinho em especial foi responsável pelo seu ingresso definitivo no mundo do vinho?
J: Quando comecei a me interessar por vinho só degustava chilenos e brasileiros. Em 1996 comprei uma garrafa do Chateauneuf-du-Pape Celestin Planchon 1992, importado pela Expand no antigo Mappin da Pça. Ramos, por R$ 17. Lembro de tê-lo tomado no começo da década de 1980 no saudoso restaurante Bayuvar, da Avenida Adolfo Pinheiro. Ele rivalizava com o Dinho's Place e Rubayat. Seu lema era "o bom gosto". Tinha uma carta repleta de opções. Depois dessa aquisição, comecei a comprar vinhos com alguma regularidade e comecei a frequentar a SBAV desde 1998. Até hoje, o Chateauneuf-du-Pape é um vinho muito importante para mim!
EV: O que você ainda não viu, mas gostaria de ver no mercado e em atividades sobre vinhos em São Paulo?
J: Que o preço do vinho nos restaurantes tivesse um ágio de, no máximo, 10% sobre o valor de venda sugerido por seus importadores. Outro sonho que tenho é a criação de uma associação de blogueiros. Acredito na sua viabilidade porque me deparo com diversos blogueiros e observo que, ao menos até agora, compartilhamos opiniões semelhantes. Assim como existe ABS, SBAV, revistas especializadas, confrarias, uma associação dessa natureza serviria tão-somente para fortalecer essa categoria emergente.
EV: Se você tivesse que escolher um livro sobre vinhos, qual você recomendaria a um amigo enófilo? E por quê?
J: No momento estou lendo o Atlas Mundial do Vinho, da Jancis Robinson e Hugh Johnson. Qualquer livro desses dois autores são altamente recomendáveis.
EV: Indique para nós um vídeo imperdível, disponível na internet, sobre vinhos que você recomenda?
J: Posso indicar dois filmes: "Sideways"
e "Um bom ano".
São dois filmes divertidos e bom para quem está se iniciando no mundo do vinho.
Entrevista com Blogueiros: Silvestre Tavares Gonçalves (Vivendo a Vida)
Hoje continuamos nossas conversas com blogueiros com o autor do Blog Vivendo a Vida, que esta se mantendo como líder de audiência dentro do Enoblogs. Silvestre Tavares Gonçalves é, como ele mesmo diz, um capixaba apaixonado por vinhos e gastronomia. Assim como nas outras entrevistas fizemos perguntas sobre o seu Blog e aproveitamos para nos informar um pouco mais sobre os eventos e sobre o mercado de vinhos na cidade de origem de nosso entrevistado, Vitória. Também como de praxe pedi dicas de um livro e um vídeo imperdível para vocês amigos leitores.

Espaço do vinho: Silvestre, o blog Vivendo a Vida, se tornou líder de audiência dentro do Enoblogs em Janeiro de 2011. Quando você resolveu lançar seu blog em Junho de 2009 imaginava que iria alcançar este sucesso tão rapidamente?
Silvestre Taveres Gonçalves: O sucesso e a rapidez em alcançar um reconhecimento se deve em grande parte ao ENOBLOGS, que alavancou os acessos, cabendo depois transmitir informações verdadeiras e de interesse dos enófilos.
EV: Como surgiu a idéia de fazer um blog para falar de vinhos?
STG: Surgiu quando senti mais confiança nas minhas opiniões, e me inspirando em vários blog filiados ao ENOBLOGS.
EV: Algum vinho em especial foi responsável pelo seu ingresso definitivo no mundo do vinho?
STG: Não. O que mais me agradou para o ingresso definitivo, foi a grande integração com as pessoas, novas amizades, bate papo, boa comida....
EV: Quais são os eventos de vinho mais interessantes que ocorrem em Vitória, tais como feiras, degustações, confrarias entre outros?
STG: Os maiores são Vitória Expovinhos e o Encontro Internacional do Vinho. Fora os dois, tem eventos toda semana com importadoras que vem apresentar seus vinhos, degustações nas lojas como na Enótria, Ville du Vin, Casa do Porto, Grand Cru, Zanatta....
EV: O que você ainda não viu mas gostaria de ver no mercado e em atividades sobre vinhos em Vitória?
STG: Gostaria de ver uma Enomatic em funcionamento por aqui......seria um cliente fiel!!!
EV: Qual livro sobre vinhos você recomendaria a um amigo enófilo? E por que?
STG: Harmonização de Euclides Penedo Borges. Por nos orientar de forma ampla sobre o melhor casamento entre a comida e o vinho.
EV: Cite um vídeo imperdível disponível na internet sobre vinhos?
STG: Degustação às cegas, imperdível....
Entrevista com Blogueiros: Alexandre Frias (Enoblogs e Diário de Baco)
Hoje temos um convidado muito especial, o empresário Alexandre Frias, idealizador e fundador do Enoblogs, comunidade de blogueiros de vinhos. Alexandre também escreve para o seu blog Diário de Baco. A dedicação de Frias em criar e manter esse sistema de indexação de blogs nos brindou com um espaço único para a troca de curiosidades, dicas e informações sobre o mundo do vinho, motivando nós, blogueiros, a escrever cada vez mais sobre o enomundo.
Nesta entrevista falamos sobre os sucesso do Enoblogs e seu estímulo ao enomundo. Além disso, Alexandre fala sobre o que ele gostaria de ver no mercado e em atividades sobre vinhos em São Paulo, e nos dá dicas de um livro imperdível e um vídeo muito divertido.
Espaço do Vinho: Alexandre, o Enoblogs se tornou hoje uma referência para muitos enófilos brasileiros. Mais de 250 blogs registrados em dois anos, milhares de acessos mensais. Quando você resolveu trabalhar com este sistema de indexação de blogs na Webcompany imaginava que iria alcançar estes números tão rapidamente?
Alexandre Frias: Sinceramente não. O mais interessante mesmo, foi ver o quanto o Enoblogs motivou as pessoas a começarem a escrever sobre os vinhos e sua vida ao redor do vinho. As pessoas achavam que escrever sobre vinhos era uma atividade restrita aos profissionais e na web, através dos blogs, esse conceito mudou. Desde quando precisamos analisar tecnicamente um vinho jantando com os amigos? Não é por isso que não tenho o direito de escrever a minha opinião sobre o vinho que bebi considerando-o bom ou ruim, afinal, antes de mais nada, somos todos consumidores, assim como qualquer crítico de vinho.
EV: Você acredita que iniciativas como a sua propulsionam a criação de mais posts nos blogs? Poderíamos chamar de uma competição positiva e divertida que nos enriquece, no caso do enoblogs, em informações sobre o mundo vinho?
AF: Como disse acima, o Enoblogs abriu a cabeça de muitas pessoas, tornando o fato de escrever sobre sua experiência com o vinho, uma atividade gratificante, pela troca de mensagens e experiências com os visitantes dos blogs. Não acredito em competição, acredito no aprendizado de forma colaborativa. Nunca aprendi tanto e tão rápido sobre vinhos, lendo os enoblogs.
EV: Algum vinho em especial foi responsável pelo seu ingresso definitivo no mundo do vinho?
AF: Nenhum vinho em especial, mas sim uma viagem à Serra Gaúcha há alguns anos. Visitando algumas vinícolas, desde então, entendi com mais profundidade porque que o vinho é a bebida mais cultuada do mundo.
EV: O que você ainda não viu mas gostaria de ver no mercado e em atividades sobre vinhos em São Paulo?
Degustações gratuitas em ambientes públicos e ao ar livre.
EV: Qual livro sobre vinhos você recomendaria a um amigo enófilo? E por que?
AF: Recomendo o livro "O Vinho mais Caro da História". Nada técnico, é um romance policial, que tem como tema central o leilão de garrafa de vinho da safra 1787, pertencente a Thomas Jefferson. Além de ter um texto envolvente, é muito interessante para entender como funciona o comércio de vinhos raros.
EV: Cite um vídeo imperdível disponível na internet sobre vinhos?
AF: Um vídeo produzido pelos amigos e blogueiros Beto Duarte e Daniel Perches chamado "Aromas do Vinho". Eles foram buscar e provar às pessoas que os vinhos tem sim todos aqueles aromas que relatamos sempre. Para isso, eles foram conversar com as pessoas que realmente entendem de frutas e de aromas, no melhor lugar do mundo: a feira. Imperdível!
A História do vinho por Hugh Johnson (Vídeo) - Episódio 7 (A História do Champanhe)
Apresentamos no episódio de hoje a história do champanhe. No vídeo aprendemos que Champanhe é a região produtora de vinhos localizada mais ao norte da França. Reims, sua capital, está posicionada no centro de bifurcação de muita estradas, sendo um centro comercial importante desde o tempo dos romanos. Na idade média sua vasta produção têxtil fez com que essa região se tornasse ainda mais importante. Os condes medievais foram espertos suficientes para encorajar o comércio e fortes o suficiente para proteger seus viajantes mercadores. Desta forma, criaram as famosas feiras de Champagne. Apesar destas feiras terem sido principalmente voltadas ao mercado de tecidos, elas beneficiaram muito os vinhos desta região ao dar fácil acesso e bastante exposição a importantes mercadores de vinho da época. Com todo este investimento e prosperidade seu vinhos floresceram e em pouco tempo já era escoado em pouco dias pelo rio Marne para Paris, onde ficou famoso por sua leveza e, acima de tudo, sua fragrância. Essa super qualidade nasce de seu solo e de seu clima. O solo é calcário, tem excelente drenagem, a raízes se aprofundam e reflete a luz do sol para a vinha, o que ajuda as uvas a amadurecerem. O solo precisa ser enriquecido com adubos de estrume e demais resíduos orgânicos vegetais para a planta se desenvolver. A outra qualidade do calcário é sua facilidade de ser escavado e esculpido, o que permitiu a construção de quilômetros de adegas subterrâneas onde a temperatura se mantém estável, sem variações do verão ao inverno. Muitas destas adegas foram criadas há mais de 2 mil anos pelos romanos.
A região de Champanhe se divide em cidades produtoras de uvas brancas e de uvas tintas. O casamento destas duas variedades é que é o grande segredo do Champagne. Neste episódio Hugh visita as colinas de Cotes de Blancs em uma área voltada para cidades de Aÿ e Cramant. Esta região às margens sul do Rio Marne contribui para a produção das uvas brancas Chardonnay em contraste com a "Montagne de Reims", que atingiu seu apogeu com a produção Pinot Noir.
Em seguida, nos apresenta a Dom Perignon e sua uma contribuição para a origem do Champagne. Padre Perignon criou um dos maiores segredos para a qualidade dos espumantes, a técnica de misturar pequenas parcelas de vinho, de diferentes parreiras, chamada assemblage, introduzindo ainda a uva tinta Pinot Noir e seu sabor maravilhoso, porém sem o tanino de sua casca gerando um Blanc de Noir (vinho branco de uva tinta). O segredo em tirar um puro vinho branco de um uva escura era ter certeza de que elas não estavam podres ou estragadas. Se elas estivessem, o vinho apresentaria uma coloração rosada. Essa triagem foi aperfeiçoada, porém hoje é muito mais simples pois a uva chega até a prensagem muito mais rapidamente. A prensagem tem de ser muito suave para romper a uva e retirar seu suco sem esmagar sua pele. São esmagados 4 toneladas de uvas por vez. Apenas o suco da primeira prensagem poderá ser utilizado para elaboração dos vinhos superiores, o que gera cerca de 2 mil litros de vinhos, ou seja, cerca de 10 barris bordaleses. Perignon ficou também conhecido como o pai da enologia, o criador do primeiro vinho espumante, o responsável por substituir as tampas de pano por rolhas de cortiça e idealizador de uma garrafa mais resistente. Dizem que sua capacidade gustativa era tão aguçada que ao botar uma uva na boca ele conseguia dizer de que colina ou vale ela provinha.
Outra figura importante no desenvolvimento do Champaghe foi uma jovem mulher chamada Mademoiselle Nicole Ponsardin, mais conhecida como Veuve Clicquot. Herdou e começou a administrar sua companhia própria de champanhe quando tinha apenas 27 anos, recém viuva de François Clicquot, herdeiro de Philippe Clicquot-Muiron, fundador da empresa que se tornaria conhecida como Veuve Clicquot. Foi a viúva quem definiu as quantidades exatas de leveduras que deveriam ser colocadas dentro da garrafa para que a produção de gás carbônico e álcool fossem na medida certa, evitando assim a pressão que normalmente explodia as garrafas. Clicquot foi também responsável pela criação do uso de pupitres (estruturas de madeira, normalmente de forma triangular, com dezenas de pequenas aberturas, onde são introduzidas as garrafas pelo gargalo), utilizados até hoje para 'colocar' os depósitos de leveduras na boca da garrafa. Finalmente, desenvolveu uma linha de produção para o champanhe. Uma vez que o vinho tivesse sido referendado e as leveduras mortas estivessem posicionadas na boca da garrafa, o champanhe estava pronto para o "Dégorgement" (degolar). Na operação, a borra (todas leveduras mortas e impurezas que estão posicionadas sobre a rolha) é expulsa pelo gás sob pressão da garrafa ao se retirar a rolha, fazendo que o vinho fique límpido e transparente. Certo volume de champanhe perdido é substituído por uma mistura de vinho e açúcar, chamado licor ou vinho de dosagem. A quantidade de açúcar presente no licor vai determinar se o champanhe será Brut, Sec ou Demi-Sec. Finalmente, é colocada a rolha definitiva e amarrado, na época, com uma corda. Neste vídeo temos uma representação de como este processo era feito no tempo da viuva Clicquot. Hoje, para retirar o depósito de borra, congela-se então o gargalo num banho de salmoura a -25ºC, tira-se a cápsula (uma tampa de metal como a de um refrigerante) e a borra congelada é expulsa pelo gás sob pressão evitando bastante o desperdício deste precioso liquido. Em seguida, a rolha é colocada e presa, hoje em dia, por um arame.
Champagne é identificado como um vinho de celebração como nenhum outro vinho no mundo. Ele cresceu com o desejo pelo luxo e o desejo pelo luxo cresceu com o champanhe. No fim do século XVIII a bebida transformou Reims e sua vizinha Epernay, em duas das mais prosperas cidades da França e, é claro, as mais importante da região de Champagne. Epernay tem uma Champs-Élysées de Maisons de Champagnes, entre elas Pol Roger, Bollinger, Krug, Louis Roederer, Pomery, Perrier-Jouët, Heidsieck & Co Monopole, Veuve Clicquot, Taittinger, Ruinart, De Castellane, Mercier, Mumm, Moët & Chandon.
Hugh termina este vídeo falando da Moët & Chandon e como Jean-Rémy Moët levou esta casa para uma clientela de elite pois era amigo e provedor de Napoleão Bonaparte e Josefina, para quem ele construiu uma cópia do Palácio do Trianon para que pudessem se hospedar em suas visitas.

